Nascido em 1985 e criado no bairro do Rocha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Igor Coelho garante ter herdado do pai a habilidade de papo com qualquer pessoa. Antes da internet, chegou a pensar em carreira militar, formou-se em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e passou sete anos como professor de inglês — sempre exercitando a mesma curiosidade genuína pelas histórias de quem estava à sua frente, fosse no colégio, no ônibus, no trabalho, na escola de inglês ou no quartel.
A entrada na internet começou em 2014, com o canal de games Três Coelhos. Dois anos depois, a renda online já igualava a de professor, e em 2016 ele se mudou para Curitiba em busca de mais espaço para se dedicar ao universo digital. Foi lá que nasceu a ideia que mudaria sua trajetória: em 2018, ao lado de Bruno Aiub (Monark) e outro sócio, fundou o Flow Podcast, inspirado no formato de conversas longas do norte-americano Joe Rogan.
O início foi duro — custos mensais de R$ 15 mil a R$ 20 mil sem retorno, mudança para São Paulo em 2019 em busca de mais convidados e o primeiro salário só em 2020. Dali em diante, o crescimento foi acelerado, até que, em fevereiro de 2022, declarações delicadas de um de seus sócios provocaram a maior crise da história do programa: perda de praticamente todos os contratos de patrocínio em poucas horas e queda de 97% no faturamento, com sete canais desmonetizados pelo YouTube.
Igor comprou a parte deste sócio, manteve toda a equipe e reconstruiu o Flow como uma holding de mídia e tecnologia, trazendo executivos como André Geiger e Sarah Buchwitz — ex-CMO da Mastercard, que comandou a empresa como CEO entre 2023 e 2025 — para profissionalizar a operação. Em meados de 2025, Igor voltou ao posto de CEO. Hoje o Grupo Flow emprega cerca de 90 pessoas, soma mais de 100 milhões de visualizações mensais e já recebeu nomes como Jair Bolsonaro e Sergio Moro — e um dos seus objetivos é mudar a comunicação no Brasil, com debates cada vez mais livres, democráticos e incisivos.