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    A venda mais barata que você pode fazer hoje não precisa de um cliente novo

    Depois de 20 anos ajudando empresas a estruturar operações comerciais, aprendi que o maior ativo de vendas da maioria das empresas já existe. Ele só está sendo ignorado.

    Roberto RoehringEmpreendedor e consultor
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    A venda mais barata que você pode fazer hoje não precisa de um cliente novo5 min

    Em 11 de cada 10 vezes que entro numa empresa para um projeto de consultoria, a preocupação que me apresentam é a mesma: como conquistar mais clientes novos.

    Entendo a lógica. Crescimento parece sinônimo de prospecção. Mas depois de atender centenas de operações comerciais ao longo de mais de 20 anos, posso dizer com segurança: a maioria das empresas tem um ativo de vendas significativo que está completamente subutilizado. E ele não está no mercado que ainda não conhece a empresa. Está na carteira de clientes que já comprou.

    Conquistar clientes novos é necessário. Mas está ficando cada vez mais caro. E enquanto o investimento em aquisição cresce, a carteira existente funciona no piloto automático, sem método, sem cadência, sem uma pergunta simples sendo feita: o que esses clientes estão me dizendo sobre o que eles precisam agora?

    É sobre isso que quero falar aqui.

    • Por que a obsessão por cliente novo é cara e incompleta
    • Os 3 indicadores que uso para transformar uma carteira estática em motor de vendas
    • Por que o maior risco da sua operação comercial pode estar na cabeça do seu vendedor
    • Como estruturar grupos segmentados com cadência e oferta personalizada

    Focar só em cliente novo é uma estratégia cara e incompleta

    Vender para quem já é cliente custa menos do que conquistar alguém que nunca ouviu falar da empresa. A confiança já existe, o ciclo de vendas tende a ser mais curto e o esforço de convencimento é menor.

    Mesmo assim, quando olho para a distribuição de energia das equipes comerciais, a proporção se inverte: a maior parte do tempo vai para prospecção, e a carteira existente fica como responsabilidade residual de cada vendedor.

    O resultado aparece de formas silenciosas. Clientes que pararam de comprar sem receber nenhum contato. Clientes que compram regularmente um único produto e nunca foram apresentados a outras opções. Clientes prontos para uma nova compra, mas que ninguém procurou no momento certo.

    Nenhuma dessas oportunidades desaparece. Elas ficam paradas no cadastro, esperando alguém olhar para elas com a pergunta certa.

    Recência, Frequência e Valor: os 3 números que a sua carteira já tem

    Quando começo um projeto de gestão de carteira com um cliente, o primeiro passo é sempre o mesmo: organizar três indicadores simples sobre o comportamento de compra de cada cliente. Chamo de RFV.

    Recência é o mais imediato: quando foi a última vez que esse cliente comprou de você?

    Só essa informação já permite agir hoje. Ordenar o cadastro por data da última compra e identificar quem está fora do padrão habitual é suficiente para montar uma lista de clientes que merecem um contato agora. Não uma campanha elaborada. Um e-mail, uma ligação, uma mensagem retomando o relacionamento.

    Clientes que pararam de comprar sem receber nenhum contato não necessariamente foram embora. Na maioria dos casos que acompanho, simplesmente ninguém os procurou.

    Frequência mapeia o ritmo de compra ao longo do tempo. Se um cliente tem histórico de comprar a cada dois meses e já se passaram três, ele está fora do padrão. Isso é um sinal de que o momento de entrar em contato é agora, não quando ele aparecer por conta própria.

    Empresas que mapeiam frequência conseguem fazer algo que parece simples, mas raramente acontece na prática: contato proativo no momento certo. Não quando o vendedor lembra. Não quando o cliente aparece. Quando os dados indicam que é a hora.

    Valor mede o quanto cada cliente representa financeiramente e abre uma pergunta que a maioria das operações raramente faz: esse cliente já conhece tudo que tenho para oferecer?

    Um cliente que compra regularmente, mas sempre o mesmo produto de ticket menor, pode estar satisfeito com o que tem. Mas pode também simplesmente nunca ter sido apresentado a outras opções. Cruzar valor com frequência e recência revela os clientes com maior potencial de crescimento que ainda não receberam a atenção que merecem.

    Juntos, os três indicadores não respondem apenas "quem comprou", mas "o que esse cliente está me dizendo sobre o que ele precisa agora".

    O dado que está na cabeça do vendedor não pertence à empresa

    Antes de usar qualquer indicador, é preciso ter o dado. E esse é o ponto onde a maioria das empresas trava, muitas vezes sem perceber.

    Existe um risco silencioso em operações com time de vendas: a carteira que pertence formalmente à empresa, na prática, pertence às pessoas. O cliente que só o João conhece. A negociação que só a Ana sabe onde parou. O relacionamento que existe na memória de quem cuida daquela conta há anos.

    Quando esse vendedor vai embora, a carteira some junto. Não porque os dados desapareceram do sistema. Porque nunca estavam lá.

    Uma coisa que repito em todos os projetos que faço é: o cliente não é do vendedor. O cliente é da empresa. Mas isso só se torna verdade quando a empresa tem um lugar organizado para provar isso.

    O caminho começa pelo mais simples possível: tirar da cabeça e passar para o papel. Do papel para uma planilha. Da planilha para um sistema acessível a todo o time que tem contato com o cliente. Às vezes me deparo com operações que ainda usam o que eu chamo de "CRM de papel de pão": o caderninho, o bloco de notas, o grupo de WhatsApp. Não julgo. O ponto de partida não importa tanto quanto o hábito de enriquecer esse registro ao longo do tempo.

    Cada contato com o cliente gera informação que a empresa deveria registrar: o que ele comprou, o que ele recusou, o que estava considerando, quando foi o último contato, o que ficou em aberto. Essas informações acumuladas transformam um banco de dados estático em inteligência comercial real.

    Sem esse hábito, o CRM é uma lista de nomes. Com ele, é uma carteira viva que funciona independente de quem está na cadeira.

    Sair do banco de dados estático para grupos segmentados muda o resultado

    A virada de chave final na gestão de carteira é parar de tratar o cadastro como um conjunto único de clientes e começar a trabalhar com grupos segmentados, cada um com uma linguagem e uma oferta diferentes.

    Com os dados de recência, frequência e valor organizados, a segmentação se torna natural. Clientes ativos com alto valor são prioridade de retenção. Clientes com frequência estável e ticket baixo são candidatos a uma oferta de upsell. Clientes inativos precisam de reativação. Clientes em resfriamento precisam de um contato antes de se tornarem inativos.

    Cada grupo recebe uma cadência de comunicação diferente. Não uma campanha genérica para toda a base, mas uma abordagem calibrada para o momento em que aquele grupo específico se encontra.

    Gosto de chamar isso de gestão de carteira com gestão de comunicação: a oferta certa, para o grupo certo, no momento certo. E o ponto de partida não é tecnologia sofisticada. É olhar para os dados que já existem e fazer as três perguntas certas.

    Por onde começar

    Se a sua empresa ainda não tem esse processo estruturado, o caminho mais prático é exatamente esse: abra o cadastro de clientes, seja num CRM, numa planilha ou no sistema que você já usa, e registre para cada cliente três informações: data da última compra, frequência de compra e valor médio. Com esse levantamento em mão, você já consegue segmentar a carteira em grupos acionáveis e definir uma cadência de contato para cada um.

    A ferramenta não precisa ser sofisticada. O hábito é o que importa.

    Em setembro, vou aprofundar esses conceitos no HJ Conference, em Concórdia, Santa Catarina, de 24 a 26 de setembro. Se você quer sair dos três dias com uma estrutura comercial mais clara e um plano concreto para a sua carteira, esse é o lugar.

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