Em 2017, eu estava em Berlim, na Mercedes-Benz Arena, assistindo David Garrett destruir o violino numa arena lotada. Ele tocava Fix You do Coldplay, Kashmir do Led Zeppelin, Beatles, tudo. E eu pensei: "Esse cara é muito melhor do que eu. Mas eu consigo fazer isso."
Voltei para o Brasil e liguei para o Ronaldo, meu videomaker. "Ronaldo, vamos fazer uns videoclipes e montar um show diferente." Fomos para Florianópolis. Baixamos o playback do Despacito do YouTube, porque era o que tínhamos. Gravamos. E aquele vídeo gravado sem estrutura, sem grana, com playback baixado da internet, virou o início de um trabalho que cresceu mais do que eu conseguia imaginar.
No Réveillon de 2025 para 2026, eu estava no palco do Canteiro Central de Florianópolis, a 300 metros de onde gravei aquele primeiro videoclipe, para 700 mil pessoas. Com uma equipe de 48 pessoas. Completamente diferente de onde comecei.
Mas a pergunta que as pessoas me fazem é sempre a mesma: como? Como um violinista do interior de Campos Novos, nascido em Filadélfia, consegue chegar lá?
A resposta não está no instrumento. Está no que você faz com ele.
O que você vai encontrar neste artigo:
- Por que o seu produto não é o que você acha que é, e o que você deveria estar vendendo de verdade
- Como criar experiência que prende a atenção e faz as pessoas pararem de olhar para o celular
- Por que o "por quê" do que você faz vale mais do que o "o quê"
- O que eu aprendi fazendo o melhor com o que tinha, e como isso foi o início de tudo
- Como parar de enfiar o dedo na ferida do Joãozinho e extrair o melhor de cada pessoa do time
- Por que sempre tem alguém olhando, mesmo quando você acha que ninguém está
O violino não é o produto
Quando as pessoas descobrem que faço um show de violino, elas esperam uma coisa. E decepcionam duas vezes.
Primeiro: esperam ir dormir. Não conseguem, porque o show tem muita energia.
Segundo: esperam violino o tempo inteiro. Não é bem assim. Tem voz, tem acordeão, tem surpresas. O violino está lá, é o centro, mas o espetáculo é muito maior do que um instrumento.
E essa é exatamente a pergunta que me fiz antes de montar o que tenho hoje: como fazer o cara que gosta de rave gostar de violino? Como fazer a galera do interior, que ouve forró e sertanejo há décadas, sentar e prestar atenção num instrumento clássico?
A resposta é trazer o instrumento para a realidade de quem está na plateia. Quando você conecta um instrumento clássico a músicas que as pessoas amam, a histórias que elas viveram, a emoções que elas reconhecem, o instrumento deixa de ser estranho.
O violino não é o produto. A experiência é o produto. E quem entende isso tem uma vantagem enorme sobre quem ainda está tentando vender o instrumento.
Engana o cérebro: como criar experiência que prende
Tem uma lógica simples que uso no show e que funciona para qualquer negócio: o cérebro da pessoa precisa ser surpreendido a cada 5 ou 10 minutos.
Se a pessoa consegue prever o que vai acontecer, ela desliga. Começa a olhar para o celular, a pensar em outras coisas, a sair mentalmente. Quando você surpreende, ela volta. Quando você surpreende de novo, ela fica.
Um show com surpresas a todo momento faz com que a pessoa fique pensando: "Mas o que está acontecendo? Mas o que vai acontecer agora?" Esse estado de curiosidade ativa é o que faz ela não tirar os olhos do palco.
A mesma lógica vale para qualquer produto ou serviço. Qual é o elemento de surpresa que você entrega? O que acontece na experiência do seu cliente que ele não esperava? O que faz ele ficar pensando no seu produto quando ele vai embora?
Se a resposta for "nada", você é mais um. E ser mais um, no mercado de hoje, é perder espaço todos os dias.
O por quê vale mais do que o quê
Tocar uma música é uma coisa. Fazer a pessoa entender por que aquela música importa é outra completamente diferente.
Quando vou tocar um tema do Rei Leão, não chego e toco. Pergunto para quem está assistindo: quanto tempo faz que você não dá um abraço no seu pai? Na sua avó? Crio uma atmosfera antes da música começar. Quando a música entra, a pessoa já está em outro lugar emocionalmente.
O Ayrton Senna é um dos temas que mais vende show para mim até hoje. Não porque a música seja a mais famosa. Mas porque antes de tocar, eu explico quem ele era. Falo sobre a geração que cresceu querendo vencer na segunda-feira porque ele corria no domingo. Falo sobre como ele construiu uma conexão tão profunda com o país que a derrota dele era a nossa derrota, e a vitória dele era a nossa vitória.
Quando a música começa depois disso, não é mais uma música. É uma experiência.
Para qualquer negócio, a pergunta que precisa ser respondida não é "o que eu vendo?" É "por que isso importa para a vida de quem vai comprar?" Essa resposta, quando bem construída, transforma produto em experiência. E experiência gera emoção. E se você não gerar emoção, você está fora do mercado.
Faça o melhor com o que tem agora
Aquele videoclipe do Despacito com playback baixado do YouTube não era o que eu queria. Era o que eu tinha.
E eu fiz o melhor com o que tinha.
Isso não é conformismo. É a única forma de começar. Quem espera ter tudo certo para começar nunca começa. Quem começa com o que tem, aprende fazendo, e vai melhorando ao longo do caminho.
Em 2023, fiz o show de abertura do HJ Conference. Não tinha toda a estrutura que tenho hoje. Mas dei o meu melhor naquele momento. Chorei no palco. A performance ficou gravada, e eu ainda vendo aquela apresentação para clientes até hoje.
Três anos depois, volto ao mesmo evento com um show completamente diferente. Porque no intervalo entre 2023 e agora, crescemos. Fizemos o Réveillon de Florianópolis para 700 mil pessoas. Expandimos o cachê, a equipe, a representatividade.
Mas tudo começou com o que tínhamos: um videomaker, um violino, um playback baixado da internet e a convicção de que dava para fazer diferente.
Sempre tem alguém olhando. Mesmo quando você acha que ninguém está. O empresário que me contratou para fazer um show na cidade dele me disse que tinha me conhecido no HJ. O diretor de TV que me convidou para outro projeto tinha acompanhado meu trabalho de longe sem eu saber. Uma conexão do HJ virou um amigo que, quando meu pai infartou e precisou de cirurgia em Caçador, deu suporte para minha família inteira durante 17 dias. Isso não tem preço. E começou com uma apresentação onde eu dei o meu melhor com o que tinha.
Pare de enfiar o dedo na ferida do Joãozinho
Sou violinista. Se você me colocar para cuidar do financeiro do meu próprio negócio, quebramos tudo. Não é exagero. É a realidade.
Minha esposa, a Duda, é quem comanda o barco da empresa. Se ela me mandasse resolver o financeiro, o projeto Simão Wolf acabaria. Porque isso não é o que eu faço bem. E não há nada de errado nisso.
Todo mundo tem algo em que é bom. E a tentação constante do gestor é focar no que a pessoa não consegue fazer, tentar "consertar" a fraqueza, gastar energia em algo que não vai render.
O que mudou o rumo do meu time foi quando comecei a encontrar o que cada um fazia bem e a fortalecer isso. O músico que não consegue colar um setlist no chão pode ser um instrumentista excepcional. O roadie que faz a troca de corda em 20 segundos no meio do show é tão fundamental quanto quem está no palco.
Valorizar o time é mais do que pagar bem, embora pagar bem faça parte. Prefiro pagar bem para ter as pessoas certas e mantê-las. Mas valorizar vai além do financeiro. No meu show, tem um momento só do saxofonista, um momento só do trompetista, um momento só do baterista, do guitarrista, do baixista. Cada músico tem o seu palco. Literalmente.
Porque a realização é o que nos move. E quando a pessoa sente que é parte essencial daquilo, que aquilo não funciona sem ela, ela entrega diferente. Você não sabe o quanto muda quando o time se sente dono do negócio junto com você.
O que você faz hoje, alguém está vendo
É assim que funciona. Você nunca sabe quem está assistindo. Você nunca sabe qual conexão vai virar parceria de negócio, qual vai virar amizade, qual vai virar um apoio que você vai precisar e que nenhum dinheiro compra.
Por isso o que eu digo para quem está começando é simples: faça o melhor com o que tem agora. Não espere as condições ideais. Não espere o estúdio perfeito, o equipamento top, o time completo. Comece. E entregue o melhor dentro do que você tem.
Porque alguém está olhando. Sempre.
E o que você entrega hoje pode ser o início de algo que, daqui a 8 anos, você olha para trás e não acredita que conseguiu.
Em setembro, vou estar no palco do HJ Conference da A9, em Concórdia, Santa Catarina, de 24 a 26 de setembro. Vou trazer minha história, um pedaço de música, e tudo o que aprendi sobre criar algo diferente num mercado que não esperava o que você tem para oferecer.
Garanta o seu lugar: hjconference.com.br
Simão Wolf







