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    De endividado a investidor: os três passos que eu ensinaria a mim mesmo

    Depois de 13 anos no mercado financeiro e na sala de aula, aprendi que o problema quase nunca é falta de dinheiro. É falta de ordem.

    Professor EdivanCEO e consultor da Montreal Investor Training
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    De endividado a investidor: os três passos que eu ensinaria a mim mesmo7 min

    Quando alguém me procura desesperado com as dívidas, a primeira coisa que eu digo sempre surpreende.

    "Não se desespere."

    A pessoa chega esperando uma lista de produtos financeiros, uma estratégia de investimento, um plano para fazer o dinheiro trabalhar em 30 dias. Não esperava ouvir algo que parece mais conselho de amigo do que de especialista em mercado financeiro.

    Mas tenho um amigo que resume bem o que acontece quando a gente ignora essa instrução: desespero gera desespero. E quando uma pessoa toma decisões financeiras no desespero, o problema que era grande fica imenso.

    Então, sim, a primeira orientação que eu dou é calma. E logo em seguida, método.

    Depois de 13 anos na sala de aula e no mercado financeiro, percebo que o endividamento raramente é um problema de renda. É quase sempre um problema de ordem. A pessoa não sabe por onde começar, pula etapas, mistura conceitos e acaba travada no mesmo ciclo: quita uma dívida, cria outra, nunca começa a investir.

    Este artigo é o roteiro que eu gostaria de ter tido quando comecei a estudar finanças. Não é teoria de livro. É o que eu vi funcionar em 13 anos de consultoria, sala de aula e convivência com pessoas que fizeram essa travessia.

    O que você vai encontrar neste artigo:

    • Por que o primeiro passo para sair das dívidas não é buscar crédito, e sim sentar e mapear tudo
    • Como priorizar as dívidas certas e por que a sequência faz toda a diferença
    • O que é reserva de emergência e como calcular o volume certo para o seu perfil
    • A diferença entre dívida boa e dívida ruim (e por que essa distinção muda tudo)
    • Quando de fato começar a investir e por que o valor inicial importa muito menos do que você pensa
    • A distinção entre liberdade financeira e independência financeira que vai redefinir o seu objetivo

    Sentar para mapear é o ato mais corajoso de quem está endividado

    A maioria das pessoas evita ver o tamanho real das suas dívidas. É mais confortável não saber. Abrir a planilha, o caderno, o aplicativo e colocar tudo no papel parece o ato que vai confirmar o pior.

    Mas é exatamente o contrário. O mapeamento não aumenta as dívidas: ele coloca as dívidas sob o seu domínio.

    Quando você lista tudo, o que parecia um caos indefinido vira um problema com tamanho. E problemas com tamanho têm solução. O que não tem tamanho definido não tem solução, porque nem começa a ter.

    Então o primeiro passo é esse: sente, lista, coloca no papel. Não importa se é numa planilha sofisticada ou num caderninho de R$ 3. O mais importante é ter uma visão clara de onde vem e para onde vai o dinheiro.

    Depois de mapear, o segundo passo é selecionar as dívidas que têm os juros mais altos. Essas têm prioridade. São elas que mais consomem o seu fluxo de caixa e que mais comprometem a sua capacidade de sair do buraco. Se você tem condição de quitar, quite. Se não tem, negocie. Procure a instituição financeira, peça a renegociação, busque uma taxa menor e um prazo mais longo.

    Alongar o prazo parece perda, mas não é: é fôlego. E com fôlego, você consegue seguir o plano.

    A parte mais difícil não é começar. É não parar.

    Fazer esses três primeiros movimentos, mapear, priorizar e renegociar, não é simples. Mas é a parte mais "fácil" do processo, se é que essa palavra cabe aqui.

    A parte mais difícil é ter consistência. Seguir o plano no dia em que a motivação vai embora. Manter o controle quando surge um imprevisto. Resistir à recaída.

    E a recaída existe. Tem até música falando sobre ela.

    O que mantém as pessoas no plano não é força de vontade. É a incorporação do hábito. Nos primeiros dias, vai ser difícil. Vai dar vontade de voltar ao jeito de antes. Isso é normal, e precisa ser dito, porque muita gente desiste achando que está falhando quando na verdade está só passando pela parte mais dura da mudança.

    Com o tempo, os novos comportamentos passam a fazer parte da rotina. O que era esforço vira automático.

    E aqui vai um ponto que a maioria dos especialistas não diz: educação financeira não é abstinência. É aprender a olhar para o orçamento com honestidade e fazer escolhas conscientes dentro dele. Cortes serão necessários, sim. Mas o plano precisa ser sustentável. Se você tem assinaturas de streaming que debitam todo mês e você não usa, cancele. Mas se tem uma que te dá prazer real, mantenha. O equilíbrio é o que faz o plano durar.

    Antes de investir, existe um passo do meio que quase ninguém faz

    Muitas pessoas pulam direto do endividamento para a tentativa de investir. Isso é um erro de sequência, e a sequência aqui importa muito.

    Entre quitar as dívidas e começar a investir existe um passo intermediário fundamental: a reserva de emergência.

    A reserva de emergência é um valor guardado numa aplicação com liquidez imediata, ou seja, com resgate disponível em dois cliques. O objetivo é ter um colchão para os imprevistos, porque os imprevistos não avisam quando chegam.

    A quantidade ideal está diretamente relacionada ao seu nível de empregabilidade. Quem trabalha com tecnologia tem recolocação rápida: 1 a 3 meses de custo de vida é suficiente. Quem está numa área em transformação ou em declínio, onde recolocação pode levar meses, precisa de 6 a 8 meses. Ajuste ao seu contexto real, não a uma regra universal.

    E um detalhe crítico: a reserva não pode estar travada em aplicação de longo prazo. Emergência precisa de acesso imediato. Quando chega, não dá tempo de esperar.

    Nem toda dívida é inimiga. Saber a diferença muda a sua tomada de decisão

    Existem dívidas produtivas e dívidas improdutivas.

    A dívida produtiva gera retorno. Um agricultor que financia um aviário vai pagar juros, mas o retorno, se bem administrado, cobre esses juros e ainda gera margem. Ele está usando o crédito como alavanca.

    A dívida improdutiva não gera retorno. É a compra por impulso feita a prazo, o supérfluo parcelado para satisfazer um desejo momentâneo. O supérfluo deve ser adquirido à vista. Parcelar o que não gera retorno é pagar juros sem nenhuma contrapartida.

    Existe ainda o crédito inteligente: quando o mercado oferece linhas de financiamento com taxas tão atrativas que compensa financiar e manter o próprio dinheiro aplicado, porque o juro que você recebe é maior do que o que você paga. Nesses casos, financiar é a decisão certa. Vale procurar junto à sua instituição financeira.

    O valor que você vai investir importa menos do que você imagina

    Quando a pessoa finalmente chega ao ponto de investir, aparece a barreira mais comum: "mas eu só tenho R$ 50. Vale a pena?"

    Vale. Benjamin Franklin disse que "o conhecimento é o investimento que rende os melhores juros." Então o meu conselho para quem está começando: o primeiro investimento com o primeiro salário é num bom curso de educação financeira. Não num produto financeiro. Numa base de conhecimento que vai guiar todas as decisões seguintes.

    Depois, comece com o básico. Instituições oficiais, produtos conservadores. Vá aprendendo o terreno antes de arriscar mais.

    E entenda o que Albert Einstein chamou de "a oitava maravilha do mundo": os juros compostos. Quem entende recebe. Quem não entende paga.

    A disciplina de investir R$ 50, R$ 100 por mês, todo mês, de forma constante, gera um efeito que no início parece pequeno e com o tempo se torna expressivo. O segredo não está no valor inicial. Está na consistência.

    A diferença entre liberdade e independência financeira vai redefinir o seu objetivo

    Liberdade financeira é quando o seu salário cobre as suas despesas. O orçamento fecha, os boletos são pagos.

    Independência financeira é um nível diferente. É quando o trabalho acumulado dos últimos anos te dá o livre-arbítrio de continuar trabalhando ou não. Você pode trabalhar por satisfação, por hobby, por legado. Não porque precisa.

    A maioria das pessoas confunde os dois e, por isso, não sabe exatamente o que está construindo. Quem tem liberdade como meta chega nela e percebe que ainda depende do próximo salário. Quem tem independência como meta constrói, ao longo do tempo, um patrimônio que trabalha por ela.

    Essa distinção é prática. Ela define quanto você precisa acumular e em quanto tempo.

    E o ponto mais importante de tudo: a decisão do futuro começa agora com os hábitos de hoje. Não amanhã. Não depois que a dívida sumir. Agora, com o que você tem.

    Em setembro, vou aprofundar tudo isso no HJ Conference da A9, em Concórdia, Santa Catarina, de 24 a 26 de setembro. Levo o conteúdo de finanças pessoais de uma forma que provavelmente você nunca viu: com música. O projeto "Cifras & Cifrões" vai ao palco para mostrar que educação financeira pode ser acessível, prática e, sim, envolvente.

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    Professor Edivan Pommerening

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