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    Antes de implementar IA no atendimento, você precisa responder três perguntas

    A maioria das empresas coloca a tecnologia antes do problema. O resultado é uma IA potente resolvendo a coisa errada. Existe um método simples para evitar isso.

    Fabiano SalgadoDiretor de Operações e Experiência do Cliente
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    Antes de implementar IA no atendimento, você precisa responder três perguntas5 min

    Quando alguém me pergunta se deve implementar IA no atendimento, eu sempre devolvo com outra pergunta: você sabe exatamente o que quer que ela resolva?

    Na maioria das vezes, a resposta é vaga. "Quero escalar o atendimento." "Quero reduzir tempo de resposta." "Quero diminuir custo com equipe." Esses objetivos são legítimos, mas não são suficientes para guiar uma implementação bem-feita. E quando a implementação não tem clareza de destino, a IA entra num sistema que ainda não está pronto para ela.

    O que acontece então é quase sempre o mesmo: a tecnologia amplifica o que já existe. Se os processos eram bons, ela acelera bons resultados. Se os processos eram ruins, ela acelera os problemas na mesma proporção.

    Tenho acompanhado isso de perto em diferentes operações. E o que separa as empresas que conseguem usar IA para melhorar a experiência do cliente das que travam no meio do caminho não é o tamanho, não é o orçamento e não é a ferramenta escolhida. É a clareza de onde elas querem chegar antes de começar.

    O que você vai encontrar neste artigo:

    • Por que a IA é um meio, não um fim, e o que muda quando você parte desse princípio
    • O método IRV que uso para priorizar decisões de CX e implementação de IA
    • As três competências que vão definir os profissionais de CX nos próximos anos

    A IA resolve o problema que você souber definir. Não mais do que isso.

    Existe uma crença no mercado de que a IA vai descobrir, por conta própria, onde ela deve atuar dentro da operação. Que basta instalar, conectar com os dados e esperar os resultados aparecerem.

    Na prática, não funciona assim.

    O cliente não quer saber se o problema dele vai ser resolvido por uma máquina ou por um humano. Ele quer ter o problema resolvido. Isso parece simples, mas muda completamente a forma como você deve pensar a implementação de IA no atendimento.

    Se a IA é o meio, o fim precisa estar claro antes dela entrar. Quais jornadas eu quero melhorar? Quais métricas eu quero mover? O que o cliente está pedindo que hoje não está sendo entregue? Sem essas respostas, você coloca uma ferramenta muito potente a serviço de objetivos que você ainda não sabe definir direito.

    E aí a IA entra, resolve algo, mas não resolve aquilo que mais importava.

    IRV: o método que uso para priorizar qualquer decisão de CX

    Há muitos anos uso um framework simples para tomar decisões de priorização em experiência do cliente. Chamo de IRV, e ele se aplica tanto para implementação de IA quanto para qualquer mudança de processo ou estratégia de atendimento.

    São três perguntas, nessa ordem:

    Impacto. Quantos clientes essa decisão afeta? Qual o tamanho real do impacto que ela gera? Uma mudança que afeta 2 clientes por semana é muito diferente de uma que afeta 2.000. O impacto define a escala da decisão e ajuda a colocar as prioridades no lugar certo.

    Relevância. Ela varia por dois ângulos que precisam ser cruzados: a perspectiva do negócio e a perspectiva do cliente. Do lado do negócio: qual indicador estratégico essa decisão move? Satisfação, retenção, tempo de resolução, custo por atendimento? Do lado do cliente: isso é algo que ele realmente quer? Se eu implementar esse novo fluxo, ele vai usar mais, vai confiar mais, vai continuar? Relevância sem validação do cliente é suposição.

    Viabilidade. Eu tenho os recursos para implementar isso agora? Qual o esforço real, em tempo, em pessoas, em investimento? Uma decisão com alto impacto e alta relevância, mas baixa viabilidade no momento, precisa esperar. Forçar o que não está pronto cria mais problemas do que resolve.

    Quando esses três elementos se alinham, a decisão se torna clara. Quando um deles falha, a pergunta muda: o que preciso ajustar primeiro para que essa implementação funcione?

    Numa era de tanta informação e tanto hype em torno da IA, a capacidade de priorizar bem pode ser a habilidade mais valiosa para qualquer profissional que quer gerar resultado real para o negócio e para o cliente.

    O papel do humano não desaparece. Ele muda de função.

    Uma das perguntas que mais recebo é: "A IA vai substituir o profissional de atendimento?" A resposta curta é não. A resposta completa é mais interessante do que isso.

    O papel do humano na equação do CX não desaparece com a IA. Ele se desloca. O profissional que antes passava o dia respondendo perguntas repetitivas passa a ter outro trabalho: saber fazer as perguntas certas para guiar a IA na direção certa.

    A IA vai dar as respostas. Vai acelerar o processo. Vai escalar o que o humano não consegue escalar sozinho. Mas as decisões estratégicas, a leitura do que o cliente realmente precisa, o raciocínio sobre o que deve ou não ser automatizado, isso ainda depende do profissional humano. E vai depender cada vez mais.

    Quando penso nas competências que vão definir os profissionais de CX nos próximos anos, chego sempre a três:

    A primeira é inteligência emocional. Num ambiente de mudanças tão aceleradas, a capacidade de se manter operacional sob pressão, de lidar com clientes frustrados, de adaptar o tom conforme o contexto, isso não é substituível por algoritmo.

    A segunda é curiosidade estratégica. O profissional de CX que constrói um repertório amplo e sabe o que precisa aprender, que acompanha o que outras indústrias estão fazendo, que questiona o que recebe como dado, esse profissional vai continuar relevante independente da ferramenta que surgir.

    A terceira une as duas: saber fazer as perguntas certas. Para a IA, para o cliente, para a operação. A qualidade das perguntas determina a qualidade das respostas. E num mundo em que a IA gera respostas em velocidade crescente, o diferencial está em quem sabe o que perguntar.

    Antes de escalar, valide. Antes de automatizar, entenda.

    O caminho que recomendo para qualquer empresa que quer usar IA no CX começa antes da tecnologia. Começa ouvindo o cliente. Entendendo o que ele precisa de fato, não o que a empresa imagina que ele precisa.

    Com essa clareza, o próximo passo é mapear: onde estão as jornadas mais críticas? Quais são os indicadores que eu quero mover? Qual o estado atual dos meus processos? Se os processos não estão funcionando bem com humanos, a IA vai replicar os mesmos problemas em escala maior.

    Só depois que esse mapa está pronto é que a IA entra. E entra de forma cirúrgica, num pedaço da jornada que está bem definido e bem testado. Não na jornada inteira.

    Depois, acompanhamento. A IA não é autônoma. Ela precisa de monitoramento constante, de ajuste, de quem leia o que ela está entregando e corrija o que está fora do caminho. Ela é um colaborador muito eficiente, mas que precisa de um humano por trás.

    O IRV existe para garantir que cada decisão nesse caminho seja tomada com clareza: isso impacta o que eu preciso impactar? É relevante para o negócio e para o cliente? Eu tenho o que preciso para fazer isso agora?

    Em setembro, vou aprofundar esses conceitos no HJ Conference da A9, em Concórdia, Santa Catarina, de 24 a 26 de setembro. Se você quer sair dos três dias com mais clareza sobre onde e como usar IA para melhorar a experiência do seu cliente, esse é o lugar.

    Ingressos e informações em hjconference.com.br.

    Aprofunde seus conhecimentos na prática.

    No HJ Conference da A9, você aprende presencialmente com especialistas que vivem grandes operações todos os dias e se conecta com empreendedores em movimento.