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    Blog do HJ

    Você está nadando ou se afogando? Como sair do esforço cego e liderar com direção

    Trabalho há 37 anos com tecnologia e liderança empresarial. E a pergunta que mais faço para empresários hoje não é sobre IA, sobre processos ou sobre estratégia. É mais simples do que isso: você está nadando ou está se afogando?

    Jâmisson FerreiraCEO do Grupo JAMSOFT
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    Você está nadando ou se afogando? Como sair do esforço cego e liderar com direção8 min

    São 37 anos trabalhando com tecnologia, liderança e cultura empresarial. Fundei a Jamsoft Tecnologia no interior de Sergipe e hoje temos quatro unidades no estado, atendendo empresas de varejo com software, hardware e inteligência artificial. Presido a CDL de Itabaiana e acompanho de perto o empresário brasileiro, nos seus momentos de expansão e nos seus momentos de desespero.

    E o que vejo com mais frequência nos últimos anos não é falta de tecnologia. Não é falta de informação. É excesso de movimento sem direção.

    O empresário está se afogando. E muitas vezes nem sabe.

    O que você vai encontrar neste artigo:

    • Por que esforço cego não é produtividade e como identificar se você está nessa armadilha
    • A pergunta que Jeff Bezos fez e que todo empresário deveria responder agora
    • Por que a cultura da sua empresa come a sua estratégia toda manhã e o que fazer com isso
    • IA + humano: a equação que muitas empresas estão errando
    • As frases que denunciam um problema de cultura organizacional na sua empresa
    • O diagnóstico de 8 perguntas: você está nadando ou se afogando?
    • O primeiro passo para nadar de braçada e parar de gastar energia sem avançar

    Esforço cego não é produtividade

    Você já viu alguém se afogando? A pessoa se debate, usa muita força, gasta muita energia. Mas não sai do lugar. Não avança.

    É exatamente assim que boa parte dos empresários está operando hoje, especialmente depois que a inteligência artificial entrou no radar. Tem muita informação chegando ao mesmo tempo, muita ferramenta nova surgindo a cada semana, muita promessa de que agora sim vai ficar tudo mais fácil. E aí o empresário corre atrás de tudo, testa tudo, compra tudo. E no fim do mês olha para trás e não sabe dizer o que avançou.

    Eu chamo isso de esforço cego. É diferente de inteligência de direção. O esforço cego é movimento sem rumo. A inteligência de direção é saber para onde você está indo, qual braçada dar, com qual técnica, em qual ritmo.

    O nadador experiente não entra no mar e sai batendo braço para todo lado. Ele para. Sente a corrente. Observa para onde as ondas estão indo. Escolhe o tipo de nado. E aí começa. Braçada a braçada, com consciência e com clareza.

    Quem tá se debatendo tá usando muita energia. Mas energia sem direção não é resultado.

    A pergunta que Jeff Bezos fez e que nenhum empresário deveria ignorar

    Em uma entrevista, Jeff Bezos fez uma pergunta que parece simples mas que tem uma profundidade enorme:

    "O que nunca muda?"

    Enquanto todo mundo está obcecado com o que está mudando (e muita coisa está mudando mesmo), Bezos perguntou o oposto. Porque entender o que não muda é o que dá estabilidade para construir o que muda.

    A resposta dele: o cliente sempre vai querer atendimento rápido. Sempre vai querer qualidade. Sempre vai querer preço justo. Isso não muda.

    E para o empresário, essa pergunta tem uma implicação direta: antes de correr atrás de qualquer ferramenta, qualquer tecnologia, qualquer tendência, pergunte-se o que você precisa entregar que nunca vai mudar. O cliente bem atendido. A equipe bem liderada. O processo funcionando. Isso é a fundação. A inteligência artificial vem em cima disso, não no lugar disso.

    Quando o empresário confunde o acessório com o essencial, ele coloca a ferramenta no centro e esquece o que a ferramenta deveria servir. E aí é puro esforço cego.

    A cultura come a estratégia no café da manhã

    Peter Drucker disse uma das frases mais verdadeiras do mundo dos negócios: "A cultura devora a estratégia no café da manhã."

    Você pode ter o melhor planejamento, a melhor estratégia, as melhores ferramentas. Se a cultura da sua empresa estiver desalinhada, nada disso vai funcionar do jeito que deveria.

    E o que é cultura, na prática? Cultura é o que acontece na sua empresa quando você não está lá. É o que o colaborador faz quando ninguém está olhando. É o padrão de comportamento que virou automático, para o bem ou para o mal.

    E aqui está o ponto mais importante: o colaborador aprende a cultura observando o líder. Se o líder diz "isso sempre foi assim", a equipe vai repetir. Se o líder diz "isso não é comigo", a equipe vai copiar. Se o líder sai na hora exata e não vai um minuto além quando o cliente precisa, a equipe vai fazer o mesmo.

    Cultura não é o que está escrito na parede. É o que é praticado todo dia, por todos, começando por quem lidera.

    IA + humano: a equação que muitas empresas estão errando

    Quando a inteligência artificial entrou no atendimento ao cliente, muitas empresas cometeram o mesmo erro: substituíram o humano pelo robô e acharam que estavam sendo eficientes.

    Não são.

    A minha visão, com base no que vejo nas empresas que atendo, é a seguinte: a IA resolve muito bem o atendimento 24 horas, 7 dias por semana, fora do horário comercial. Ela pode responder a 90%, 100% das perguntas mais comuns. Isso é velocidade, isso é presença, isso é ótimo.

    Mas no horário comercial, você precisa do humano para fechar. Para lidar com a situação específica, para ler o que o cliente está sentindo, para fazer aquela conexão que transforma um interessado em cliente fiel.

    Empresas que usam só robô estão ganhando em agilidade e perdendo em eficiência. Ganharam velocidade de resposta, mas perderam a conversão. E no fim, o que importa não é quantas mensagens você respondeu: é quantas vendas você fechou.

    A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa. Mas ferramenta não substitui inteligência humana, não substitui liderança, não substitui cultura. Ela potencializa o que já está bom. Se o que está lá dentro está ruim, ela só vai amplificar o problema.

    As frases que denunciam um problema de cultura na sua empresa

    Ao longo de 37 anos, aprendi a identificar rapidamente se uma empresa tem um problema de processo ou de cultura. E o diagnóstico mais rápido não vem de planilha: vem das frases que os colaboradores usam.

    Se você já ouviu alguma dessas dentro da sua empresa, presta atenção:

    • "Estou aguardando a resposta do cliente."
    • "Diga que eu não estou."
    • "Isso não é comigo."
    • "Eu não recebi o e-mail."
    • "Isso sempre foi assim."
    • "Eu só fiz o que me mandaram."
    • "Esse cliente é chato."
    • "Já deu o meu horário."
    • "Tudo que me pedem é em cima da hora."
    • "Isso eu não sabia."

    Cada uma dessas frases é um sintoma. Não de um colaborador ruim, mas de uma cultura que ficou à deriva. E a cultura não se desvia sozinha. Ela se desvia quando a liderança não estabelece com clareza o que é esperado, o que é tolerado e o que nunca pode acontecer dentro daquela empresa.

    O colaborador novo que chega na sua empresa está, nos primeiros dias, fazendo perguntas silenciosas: "Posso chegar atrasado?" "Devo tratar cada cliente como único ou tanto faz?" "Se eu ver algo errado, comunico ou fico quieto?" Ele vai encontrar as respostas — não no que está escrito, mas no que observa acontecer.

    É por isso que cultura precisa ser desenhada, escrita e praticada. Não pode ser deixada ao acaso.

    O diagnóstico de 8 perguntas: você está nadando ou se afogando?

    Tenho um diagnóstico simples que uso com empresários. São 8 perguntas de sim ou não. Responda mentalmente agora:

    1. Terminei dias inteiros sem tocar em nada realmente importante, só coisas urgentes?
    2. Cancelei ou encurtei reuniões de planejamento porque não deu tempo?
    3. Minha equipe me procura para decidir coisas que eles mesmos poderiam decidir?
    4. Estou tocando iniciativas demais ao mesmo tempo e nenhuma anda rápido?
    5. Não sei dizer de cabeça os três números mais importantes da minha área este mês?
    6. Dedico o mesmo tempo a todas as demandas, mesmo às que quase não geram resultado?
    7. Quando algo dá errado, minha reação é fazer mais do mesmo, só que mais rápido?
    8. Estou cansado em um nível que afeta minha paciência com a equipe e com a família?

    Agora some os "sim" e veja onde você está:

    • 0 a 2 sim: Você está nadando. Sabe a direção, aproveita a força das ondas.
    • 3 a 5 sim: Você está nadando contra a corrente. Está se movendo, mas o esforço é muito maior do que deveria.
    • 6 a 8 sim: Você está se afogando. Gastando muita energia, sem avançar. Precisa mudar agora.

    Sem julgamento. Esse diagnóstico existe para dar clareza, não para gerar culpa. O empresário que tem 6 ou 7 respostas "sim" não é um mau empresário: é um empresário que está sozinho numa correnteza que ele ainda não aprendeu a nadar.

    O primeiro passo para nadar de braçada

    Se você se reconheceu em algum dos pontos acima, o primeiro passo não é comprar mais uma ferramenta. Não é contratar mais uma consultoria. Não é ler mais um livro.

    É pedir ajuda.

    Peça ajuda para quem já chegou onde você quer chegar. Peça ajuda para os seus colaboradores (sim, para eles também). Sente com a equipe e pergunte: "Se essa empresa fosse sua, o que você faria diferente?" "Qual sugestão você tem?" "O que você vê que eu não estou vendo?"

    E depois disso, construa junto com eles o que eu chamo de plano diretor da cultura: o que a empresa tolera e o que não tolera. Quais são os valores que não são negociáveis. Quais comportamentos são celebrados e quais são corrigidos. Isso precisa estar claro: escrito, comunicado, vivido.

    O empresário que faz isso para de gastar energia apagando incêndio e começa a investir energia construindo. A diferença entre um e outro não é talento. É direção.

    No Rotary, há uma frase que carrego há anos: "Mais se beneficia quem melhor serve." O empresário que serve bem sua equipe, serve bem seus clientes, serve bem a sua comunidade: esse é o que nada de braçada, com leveza e com propósito.

    Então deixo a pergunta que faço ao final de todo encontro que tenho com empresários:

    Você está realmente avançando ou só está se debatendo tentando não afundar?

    Vou aprofundar tudo isso no HJ Conference da A9, em Concórdia, Santa Catarina, de 24 a 26 de setembro. Vamos falar sobre cultura organizacional, liderança e como usar a inteligência artificial com inteligência de direção, não com esforço cego. Se você quer sair do mar agitado e nadar em direção a um mar azul, esse é o seu evento.

    Aprofunde seus conhecimentos na prática.

    No HJ Conference da A9, você aprende presencialmente com especialistas que vivem grandes operações todos os dias e se conecta com empreendedores em movimento.