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    Seu filho não vai estudar por sorte. E "boa sorte" é o pior conselho que você pode dar a ele.

    Depois de 20 anos no setor educacional e 10 anos à frente de uma das maiores redes de pré-vestibulares do ABC Paulista, aprendi que o problema quase nunca está no filho. Está no processo.

    Marco OhmoriProfessor, empreendedor e mestre em inovação
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    Seu filho não vai estudar por sorte. E "boa sorte" é o pior conselho que você pode dar a ele.5 min

    Quando um pai me liga preocupado porque o filho não quer estudar, a primeira coisa que eu faço é ouvir. E quase sempre a história segue o mesmo roteiro.

    O filho está no segundo ano do ensino médio. Quer tentar medicina na USP, ou engenharia na Unicamp, ou direito na Unesp. Mas quando chega a hora de sentar e estudar, some. Fica no celular, inventa desculpa, diz que vai fazer amanhã. E o pai, fora de si, aplica o sermão da montanha. Fala sobre responsabilidade, sobre o futuro, sobre o quanto é difícil passar em vestibular concorrido. O filho ouve calado, balança a cabeça, vai para o quarto. E no dia seguinte, a mesma cena.

    Esse ciclo se repete em milhares de casas brasileiras. E não precisa.

    Não porque os filhos sejam preguiçosos. E não porque os pais estejam errados em se preocupar. Mas porque o que está faltando nessa história não é motivação. É método. E método, ao contrário da motivação, não varia com o humor do dia.

    O que você vai encontrar neste artigo:

    • Por que o adolescente precisa de um tratamento específico, diferente de como você trata uma criança e de como você trata um adulto
    • Como firmar acordos com seu filho que ele realmente vai respeitar
    • O erro silencioso que a maioria dos pais comete e que faz o adolescente acreditar que não é capaz
    • Por que "boa sorte" é o pior conselho que você pode dar antes de uma prova e o que dizer no lugar
    • A metodologia de vitórias diárias que usamos na Ohmori Vestibulares e que qualquer família pode aplicar em casa
    • O que um pai pode fazer todo dia para acompanhar o processo do filho sem virar mais um motivo de ansiedade

    O adolescente não é criança. Também não é adulto. E esse erro de diagnóstico muda tudo.

    Quando eu começo a orientar pais, a primeira coisa que preciso deixar clara é esta: existe uma diferença enorme entre tratar o adolescente como criança e tratá-lo como adulto. E a maioria dos pais oscila entre esses dois extremos sem perceber que nenhum dos dois funciona.

    Tratado como criança, o adolescente não desenvolve autonomia. Cada decisão é tomada pelo pai, cada erro é prevenido antes de acontecer, cada liberdade é bloqueada por excesso de proteção. O resultado é um jovem que chega aos 18 anos sem saber o que fazer quando não tem ninguém para dizer o próximo passo.

    Tratado como adulto, o adolescente recebe uma cobrança para a qual ainda não tem estrutura emocional. O cérebro do adolescente ainda está em formação. As oscilações de humor são neurológicas, não são frescura. A necessidade de aprovação dos amigos é maior do que a do pai, e isso não é rebeldia: é uma fase do desenvolvimento que a neurociência já mapeou com precisão.

    O tratamento certo é o que eu chamo de liberdade assistida: dar autonomia, mas dar limites. Deixar o adolescente experimentar, mas deixar claro o que acontece quando os limites não são respeitados.

    Na prática, isso parece uma conversa assim: "Você pode ir à festa. Mas precisa voltar às 23h. Se não voltar, perderei a confiança em você e você não vai mais." Sem grito, sem ameaça vaga, sem "enquanto você morar na minha casa". Um acordo claro, com consequência clara.

    O problema é que a maioria dos pais quebra esse acordo antes do filho. O filho não cumpre a parte dele, e o pai, no desconforto do conflito, abre mão da consequência. E aí o que acontece? O filho aprende que os limites são negociáveis. Que o pai fala, mas não cumpre. E a confiança no processo inteiro vai por água abaixo.

    Toda relação é construída sobre acordos. Isso vale no trabalho, nas parcerias, nos negócios. E vale em casa, com o seu filho adolescente.

    O sermão da montanha não funciona. E a alternativa é mais simples do que parece.

    Eu vou te dar um exemplo que acontece aqui na Ohmori com frequência.

    Um aluno vai bem em história, tira 9,5 no bimestre. Na mesma época, vai mal em matemática, tira 2. O pai chama o filho para conversar. E o que acontece em 90% dos casos? O pai foca no 2. "Filho, você precisa estudar mais matemática, eu falo para você sempre, você tem que prestar mais atenção nas aulas, isso vai prejudicar você no vestibular..."

    O filho ouve, abaixa a cabeça, pensa: "Sou burro. Não sou bom em matemática. Nunca vou conseguir."

    E o 9,5 de história? Ninguém menciona.

    Pense em um quadro negro com um círculo desenhado no meio. Se eu mostrar esse quadro para você e perguntar o que tem ali, você vai responder "um círculo". Não vai dizer "um quadro enorme". Porque o erro, o desvio, a imperfeição, chama muito mais atenção do que o acerto.

    Nós, como pais, fomos treinados para encontrar erros. Isso é quase instintivo. Só que quando você ressalta demais os erros do adolescente, o efeito é devastador: ele começa a acreditar que não acerta em absolutamente nada.

    A alternativa que eu ensino é simples: valorize o que está bom antes de apontar o que precisa melhorar. E quando apontar o que precisa melhorar, não aponte o erro: indique o caminho.

    A diferença é esta: "Você tirou 2 em matemática" não gera nada. "Você foi muito bem em história, o pai está orgulhoso. Em matemática ainda tem coisa para trabalhar, o que você acha que poderia ser diferente?" Essa segunda abordagem abre um diálogo. E um adolescente que sente que está acertando em algo tem muito mais energia para corrigir o que está errado.

    Aqui na Ohmori, quando um aluno está indo bem, nós chamamos o pai e o filho para uma reunião. O filho chega com medo, o pai chega tenso, os dois achando que vai ter problema. E a gente abre a reunião dizendo: "Chamamos vocês aqui porque o filho está indo muito bem e queríamos que o pai soubesse disso." O filho renasce na frente dos nossos olhos. Porque na maioria das vezes, ninguém faz isso.

    Comemore as vitórias diárias. Isso não é autoajuda. É neurociência aplicada ao desenvolvimento do adolescente.

    "Boa sorte" é o pior conselho. O que o Japão sabe sobre isso que o Brasil ainda não aprendeu.

    Quando o filho vai fazer uma prova, qual é a frase que você diz?

    Para a maioria dos pais brasileiros, é "boa sorte". E eu entendo o afeto por trás dessa frase. Mas como orientação, ela é um problema sério.

    Sorte é o número que você joga na Mega-Sena. Sorte é o que determina o resultado quando você não tem controle sobre nenhuma variável. Quando você diz "boa sorte" para seu filho antes de uma prova, você está, sem querer, dizendo que o resultado depende do imprevisível. Que o esforço que ele colocou não é suficiente. Que ainda vai precisar de um fator aleatório para dar certo.

    No Japão, quando o filho vai fazer algo importante, a expressão usada é "Ganbatte". E Ganbatte significa, literalmente: "Dê o seu melhor."

    É uma pequena diferença de palavras. Mas é uma diferença enorme de filosofia.

    "Filho, se você passar ou não, eu vou continuar te amando. A única coisa que eu quero é que você dê o seu melhor." Essa frase remove o peso do resultado e coloca o foco onde ele realmente deve estar: no processo.

    E aqui está o que 20 anos de trabalho com adolescentes me permitiram dizer com segurança: qualquer pessoa passa em qualquer vestibular do país. Pode ser medicina na USP. Pode ser engenharia no ITA. Qualquer pessoa, desde que mantenha dedicação diária durante o tempo necessário, chega lá.

    Michael Phelps treinava 8 horas por dia. Oscar Schmidt disse uma vez: "Mão santa nada. Eu treinei mais do que todo mundo." Ayrton Senna corria 40 quilômetros por semana para ganhar condicionamento físico para pilotar. O que a gente vê é o resultado. O que ninguém vê é o processo que construiu esse resultado.

    O seu filho não vai precisar de sorte. Vai precisar de processo.

    A metodologia que transforma um filho ansioso em um aluno disciplinado

    A ansiedade é um dos maiores inimigos do estudo. E a origem dela, na maioria dos casos, é a mesma: o adolescente está no futuro, preocupado com o vestibular que vai acontecer daqui a um ano, em vez de estar no presente, organizando o que precisa fazer hoje.

    A pergunta que rege toda a metodologia que construímos na Ohmori Vestibulares é esta: o que você precisa fazer hoje?

    Não amanhã. Não "nas próximas semanas". Hoje.

    Quando você traz o adolescente ansioso de volta para o presente, a carga diminui. O problema deixa de ser "passar em medicina na USP" e passa a ser "fazer 10 questões de biologia agora". Esses são problemas de tamanho completamente diferentes. E o segundo dá para resolver.

    Na prática, a metodologia começa pequena. Se o aluno não estudava nada antes, 15 minutos é um avanço real. E o papel do pai aqui é reconhecer isso: "Conseguiu fazer os 15 minutos hoje? Ótimo. Amanhã a gente faz de novo."

    Com o tempo, 15 minutos viram 30. Trinta viram uma hora. Uma hora vira duas. Quando o aluno chega a duas, três, quatro horas de estudo disciplinado por dia, ele já entendeu o mecanismo. Já não está mais estudando porque o pai mandou. Está estudando porque criou o hábito, e o hábito virou parte do dia.

    Você não nasceu sabendo andar. Engatinhou, caiu, tentou de novo, caiu de novo, e um dia não caiu mais. Para tudo o que importa na vida, o processo é o mesmo. E o estudo não é diferente.

    Aqui na Ohmori, falamos que somos uma escola de pré-vestibular que não se preocupa com o vestibular. Pode parecer paradoxo. Mas não é. Se o aluno fez 200 dias de estudo de qualidade, com disciplina diária, cumprindo a vitória de cada dia, o vestibular é consequência. Não precisa que eu fique preocupado com ele.

    O que um pai pode fazer todo dia (e que muda tudo)

    Em toda reunião de pais que fazemos aqui na Ohmori, a orientação que eu repito é esta: o seu trabalho não é garantir que o seu filho passe no vestibular. O seu trabalho é garantir que o seu filho aprenda a ter disciplina ao longo do processo.

    A diferença é enorme. Quem fica obcecado com o resultado cria ansiedade nos dois lados. Quem foca no processo cria confiança.

    E tem mais uma coisa importante que preciso dizer: o filho não nasceu para completar um desafio de vida do pai. Quando o pai projeta no filho a conquista que ele não teve, coloca um peso que não pertence ao filho. E o filho sente isso. Às vezes isso é o que está travando o estudo, não a falta de esforço.

    Separar o processo do filho do processo do pai é uma das coisas mais difíceis e mais importantes que um pai pode fazer.

    A orientação prática que deixo para todo pai: faça uma pergunta ao seu filho todos os dias. Só uma. "Filho, o que você aprendeu hoje?"

    Não "você estudou?". Não "quanto tempo você ficou na mesa?". Não "você vai conseguir recuperar a nota de matemática?". Só isso: o que você aprendeu hoje.

    Essa pergunta faz duas coisas ao mesmo tempo. Mantém o pai conectado com o processo do filho sem criar pressão sobre o resultado. E ensina o filho a refletir sobre o que aprendeu, que é o passo que transforma estudo em aprendizado de verdade.

    Tem também a questão da comparação. "Meu sobrinho estudou dois meses e passou em direito." Esse é o processo do seu sobrinho. Não tem nada a ver com o seu filho. Comparar ritmos de aprendizado é tão inútil quanto comparar o ritmo de crescimento de duas plantas de espécies diferentes. Cada adolescente tem o seu tempo. Respeitar isso é parte fundamental do processo.

    Em setembro, vou aprofundar tudo isso no HJ Conference da A9, em Concórdia, Santa Catarina, de 24 a 26 de setembro. Falo para pais que são empresários e que já conhecem o valor de um processo bem construído nos negócios. Minha missão é mostrar que o mesmo pensamento que organiza uma operação comercial pode transformar a relação com o filho adolescente.

    Garanta o seu lugar: hjconference.com.br

    Marco Ohmori

    Aprofunde seus conhecimentos na prática.

    No HJ Conference da A9, você aprende presencialmente com especialistas que vivem grandes operações todos os dias e se conecta com empreendedores em movimento.